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Conheça quem limpa a sua cidade

Garis e catadores de recicláveis de Juiz de Fora revelam as dificuldades do trabalho.

Iara Campos

Postado em 07 de julho de 2014.

O Departamento Municipal de Limpeza Urbana (Demlurb) é responsável pela execução de serviços como a lavação e varrição de vias, serviço de capina e coleta de lixo em Juiz de Fora. Segundo dados estatísticos disponíveis no site do setor, ao longo de todo o ano passado, o departamento registrou 105 acidentes, sendo 80 só entre os trabalhadores que realizam a coleta de lixo diurna. Os varredores estão em terceiro lugar nas estatísticas entre os que mais se acidentam, com 24 ocorrências em 2013.

No vídeo abaixo, veja outras informações e confira o depoimento da funcionária na Demlurb há 23 anos, Neli Nunes da Silva, que contradiz as estatísticas e é otimista quanto ao trabalho.

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Lixo reciclável separado em um dia de trabalho, por José Maciel. Foto de Iara Campos.

Além dos funcionários da Demlurb, há outras pessoas que trabalham pra a limpeza de Juiz de Fora, coletando lixo reciclável nas ruas junto a alguma associação como, por exemplo, a ASCAJUF, ou de forma independente, a fim de complementar a renda ou garantir o sustento. Este último é o caso do catador independente José Maciel, que percorre o Centro de Juiz de Fora com uma carroça de madeira cheia de papel, plástico e alumínio. Maciel conta que “aguenta a rotina” porque tem três filhos para criar. Ele explica que o risco é alto, “tem muitos horários que é perigoso andar na rua. Se tem muito carro, a gente acaba tendo que subir na calçada. E aí as pessoas reclamam”.

 

Segundo Maciel, catar material e vender para a reciclagem não ajuda muito na renda. Ele conta que o trabalho vale mais a pena por causa de outros objetos que ele encontra no lixo.  “Já aconteceu de eu achar dinheiro, uma vez achei quatrocentos reais. Já achei também dente de ouro. Aí eu vendi e tirei um dinheirinho. Brinquedo e essas coisas a gente vende na feira e ganha uns bons trocados”, explica. Por isso, Maciel não se preocupa se as pessoas deixam separado o lixo reciclável do orgânico. “Até se as pessoas separam o lixo eu abro tudo de novo, porque a gente nunca sabe o que tem ali, aí tem que conferir”, afirma. O catador diz que não tem vergonha do seu trabalho, mas que “é complicado porque a família às vezes vê e pensa que a gente virou mendigo, mas aqui eu estou trabalhando”.DSC08941

 

A aposentada pela Demlurb, Arlinda Ferreira, tem 68 anos e cata papel para não ficar em casa. “Eu não sei ficar parada. Esse trabalho tira todos os problemas da minha cabeça, dentro de casa eu ficava só pensando coisa ruim”. Enquanto empurra o carrinho, Arlinda ora e canta para manter o bom humor. Segundo a catadora, o carrinho de lixo “só fica pesado de vez em quando, se estiver muito cheio mesmo e aí é bom que a gente tira um trocadinho a mais”. Ela conta que usa o dinheiro que recebe como catadora para comprar material para fazer sabão, que vende todo domingo na feira livre da Avenida Brasil. A maior queixa dela é em relação aos colegas de profissão. “O problema é que tem outros catadores que roubam da gente. Rouba papel, roupa o carrinho, às vezes até rouba só as rodas do carrinho para vender na feira, e deixa você na mão”, detalha.

 

 

 

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