Skip to content

Associação de Belas Artes Antônio Parreiras completa 80 anos divulgando e ensinando arte em Juiz de Fora

por Victor Carneiro

Postado em 09/07/2014

Um lugar livre para compartilhar conhecimentos e técnicas, onde reinava a filosofia: do mais experiente ao artista iniciante e amador, todo mundo tinha algo para aprender e ensinar.

Um lugar livre para compartilhar conhecimentos e técnicas, onde reinava a filosofia: do mais experiente ao artista iniciante e amador, todo mundo tinha algo para aprender e ensinar. (Foto: Victor Carneiro)

Em meio ao ponto de ônibus mais cheio da cidade, a Antônio Parreiras promete uma outra viagem. O destino? Ao passado. Como veículo, um trem. Na verdade, foi na antiga estação ferroviária de Juiz de Fora que a Associação de Belas Artes ocupou o seu espaço – e assim como as velhas locomotivas, busca encontrar o seu lugar na sociedade de hoje.

Tudo começou há oitenta anos atrás, na década de 30, quando alguns artistas do antigo Núcleo Hipólito Caron se uniram para criar a Associação. Nomearam “Antônio Parreiras” em homenagem ao pintor brasileiro mais popular da época e que visitou Juiz de Fora anos antes. A ideia era criar um espaço mais democrático de estudo, discussão e difusão das artes plásticas. Um lugar livre para compartilhar conhecimentos e técnicas, onde reinava a filosofia: do mais experiente ao artista iniciante e amador, todo mundo tinha algo para aprender e ensinar.

“Em 1934 quando o Antônio Parreiras começou era muito difícil aprender arte, ainda mais difícil do que hoje, o único curso superior na época era a Escola Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro. A distância e a necessidade de sustentar uma família tornavam impossível que trabalhadores fossem ao Rio aprender arte”, relata o presidente da Associação Antônio Parreiras, Lucas Marques. A maioria dos artistas na época era de origem modesta. Pintores de parede, pedreiros e ajudantes de obra que buscavam no intercâmbio de experiências aperfeiçoar suas técnicas artísticas. “Acredito que [a Associação] sempre teve essa característica: um artista que recebe outros artistas e transfere a experiência dele”, resume Marques.

A torre do relógio faz parte da antiga Estação Central, hoje, Associação de Belas Artes Antônio Parreiras. (FOTO: Arquivo Ramom Brandão. Acessado no site: mariadoresguardo.com.br)

A torre do relógio faz parte da antiga Estação Central, hoje, Associação de Belas Artes Antônio Parreiras. (FOTO: Arquivo Ramom Brandão. Acessado no site: mariadoresguardo.com.br)

Mais que um centro de ensino livre e um grande acervo de obras de artes, a Antônio Parreiras representa também um espaço de convivência e lazer para seus associados. Frequentadora das mostras e dos cursos livres, a artista plástica Raquel Gouvêa  destaca a importância da associação. “A atmosfera é diferente, o espaço inspirador. A sociedade deveria dar uma atenção maior ao espaço, nem todo lugar completa oitenta anos, a ocasião deveria ser mais comemorada”, destaca. Para a artista além da atenção à data, uma reforma na sede da Antônio Parreiras deve ser cobrada pela população. “Precisa de uma manutenção mais frequente, apesar do lugar ser muito bonito o local da Associação atrapalha um pouco o aprendizado, quando o trem passa faz uma barulho insuportável em determinados momentos”.

Esperando o trem passar, na passarela para pedestres, os irmãos Alanny e Alysson Santos desconhecem a existência da Associação. “Passamos aqui todos os dias e nem sabia que funcionava alguma instituição aqui, muito menos que havia arte”, relata a irmã, considerando que pressa do dia-a-dia atrapalha a população até ler a placa da instituição. Na dificuldade de interação entre a sociedade e Associação, Alysson já enxerga de outra forma o problema. “Talvez se integrasse mais, com exposições de arte de rua, batalha de MC’s, algo do tipo, os jovens iriam”, completa.

 

"Parreiras e seus artistas": o livro foi escrito em 2004, e tem como objetivo resgatar as memórias, os valores e, claro, os artistas que passaram pela Associação. (Foto: Victor Carneiro)

“Parreiras e seus artistas” (Foto: Victor Carneiro)

 

80 anos em um livro

Seja divulgando seus trabalhos ou os conhecimentos em arte, durante esses oitenta anos de funcionamento ininterrupto , o que não faltaram foram grandes artistas nos salões da Associação. Como professor ou aluno, participando de cursos livres ou exposições nomes como Ângelo Bigi, César Turatti, Dnar Rocha e Sílvio Aragão fizeram parte da Antônio Parreiras. Um importante registro da história octogenária da Antônio Parreiras é o livro: Parreiras e seus Artistas. Escrito em 2004, pelo presidente da Associação, Lucas Marques, a obra tem a missão resgatar as memórias, os valores e, claro, os artistas que passaram pela associação. São 123 páginas que contam biografias breves, perfis, dos principais artistas da instituição, e um CD com os trabalhos citados no texto.

 

 

 

 

Anúncios
Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: