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A Realidade Virtual como aliada de profissionais

Imagem Reprodução

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Acordo com o despertador do meu celular, preparo um lanche com o micro-ondas, desço o elevador, aciono o motor do carro, ligo o som. Chego no trabalho, checo os e-mails, através de softwares resolvo questões da empresa, à noite, já em casa, ligo a TV, assisto à qualquer coisa para relaxar. Quantos cidadãos do século XXI não podem contar a mesma história?

Estamos cada vez mais imersos no mundo da tecnologia, ou a tecnologia está cada vez mais imersa em nós? A união é tanta que fica difícil saber. Fato é que hoje em dia já não nos surpreendemos, como antigamente, com os novos aparatos tecnológicos, por mais absurdos que pareçam. Isso porque já nos acostumamos e, de certa forma, estamos viciados à velocidade de processamento, troca e acesso à informação.

O desenvolvimento tecnológico chegou a um ponto em que tudo que se via nos filmes de ficção científica pode, ou poderá em breve, ser experimentado no mundo real. Dessa ficção emerge com destaque a tecnologia que vem ganhando cada vez mais espaço nas pesquisas e mercado, a Realidade Virtual (RV).

O técnico em Informática Industrial Anderson Halfeld, define a RV como um dos maiores avanços da tecnologia atualmente. “Sempre quando falamos de evolução, é inevitável mencionar a RV, ela sempre é vista como o ‘grande passo’ na evolução da interface homem-maquina. Ela eleva essa interação através de um ambiente tridimensional que trabalha com informações multisensoriais (imagens dinâmicas, sons, reação a força, tato) e tudo sendo manipulado e produzido em tempo real. É a interface mais avançada por trazer maior imersão ao usuário com este tipo de navegação e manipulação de objetos”.

Para o técnico em Software e Hardware Kepler Philipp, um dos requisitos que tornou possível essa migração da RV do cinema para o cotidiano é a fase em que estamos no desenvolvimento de simuladores. “A realidade virtual tem sido objeto de destaque na ficção a muito tempo, a principio parecia impossível, mas hoje em dia estamos num ponto alto na tecnologia de simulação. Basta o equipamento conseguir que os sentidos do usuário sejam exclusivamente usados pelo o equipamento, por isso tudo que se trata de RV inclui um bom isolamento do ambiente externo”.

A tecnologia de RV passou a ser desenvolvida em pesquisas nas áreas de arquitetura e engenharia, onde esses profissionais simulam todo o seu processo de trabalho e a partir disso foi sendo aplicada em outras áreas. As tecnologias de realidade virtual também são amplamente desenvolvidas nas áreas da medicina, para a simulação de cirurgias e, principalmente, no entretenimento, com videogames e até mesmo com sexo virtual.

Philipp explica também que a RV é uma tecnologia intuitiva, qualquer um conseguirá lidar com ela. “É uma experiencia natural, a unica diferença é estar com um oculos que vai ‘anular’ o mundo exterior. Não é como o 3D que boa parte das pessoas têm dor de cabeça e outros tipos de mal estar, isso é causado porque seu cerebro é forçado a ver duas imagens ligeiramente diferentes e criar um ponto comum entre elas. Na RV as imagens são simplesmente apresentadas de forma ultra realista, seu cerebro não vai precisar trabalhar mais para interpretar as imagens, imagine que é como viajar para um lugar que você nunca esteve. Claro, que a RV vai alimentar um pouco as teorias de conspiração no melhor estilo Matrix e alguns extremismos classicos relacionando a violencia virtual com o comportamento humano em relação ao mundo. Mas nada que crie grandes problemas”.

RV e trabalho

Para Halfeld a informática é parte essencial para um trabalho bem sucedido. “A utilização da informática para automatizar uma indústria, é essencial para um resultado mais satisfatório e também aplicável em qualquer área. Hj em dia todos os setores que compõe uma grande empresa passam pelo monitoramento de algum sistema, agilizando todo o processo. Já a RV em si não alcançaria todas as áreas de uma empresa, ela não seria tão eficaz quanto a utilização de um computador focado no trabalho, mas é de extrema importância e muito eficiente para questões mais específicas”.

Halfeld explica que a RV é uma tecnologia versátil e essas questões específicas podem variar. “A RV pode ser aplicada em diversos setores de uma indústria, como na simulação de um produto, em um planejamento de uma fabrica, validação de protótipos e pra mim principalmente no treinamento de funcionários – sempre que penso na aplicação da RV na indústria, o treinamento é a primeira coisa que vem em mente – onde nesse ponto em especial a ajuda da RV é importantíssima para simulação, por exemplo, de situações entre cliente e funcionário. É uma ferramenta mto flexível e mto bem aplicada quando se foca determinados setores, como manufatura e desenvolvimento de produtos”.

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Algumas pessoas ainda pensam que a tecnologia irá tomar o lugar do homem no trabalho, e algumas delas realmente tomam, como é o caso do maquinário das indústrias automobilísticas. Mas com a Realidade Virtual é diferente, ela veio para otimizar o trabalho humano, e não substituí-lo. Um exemplo disso é a cirurgia robótica que permite intervenções cirúrgicas a distância. Esses robôs não são autônomos, ou seja, eles precisam de um médico para manuseá-los e fornecer instruções.

Fernanda Nogueira é arquiteta e explica que o uso da Realidade Virtual é fundamental para que seus clientes possam compreender os objetivos propostos em projetos. “Tal visualização só pode acontecer através de perspectivas a mão ou de realidade virtual, ou seja, maquetes em 3D para a compreensão dos espaços, seu design e funções. Utilizo em 4 dos  5 dias de trabalho da semana, nas apresentações aos clientes e também no desenvolvimento dos projetos. Mas não dispenso o desenho a mão.”

  •  Qual o diferencial do profissional que possui conhecimento nessas tecnologias?

Com esse conhecimento posso definir mais informações no espaço. O modelo em três dimensões auxilia também na redução dos erros em obras. Atualmente, os engenheiros também utilizam essa ferramenta, o que facilita o trabalho de compatibilização entre projetos, ou seja, a conferencia se o projeto estrutural está seguindo o projeto arquitetônico.
Enfim, o conhecimento dessas tecnologias facilita o trabalho e reduz os erros.

  •  Quais inovações você acha que a tecnologia ainda pode trazer para seu trabalho?

Muitas, pois ainda não faço uso da melhor tecnologia do mercado devido a falta de mão de obra (estagiários) que saibam trabalhar. Mas existem programas que geram desenhos inteiros sozinhos, quantitativos de materiais, pranchas, enfim, são grandes facilitadores do nosso trabalho, ferramentas ainda pouco exploradas por nós. Hoje já apresentamos trabalhos em vídeos, e no futuro? Acho que o cliente poderá entrar e vivenciar a sua casa antes dela ser construída.

  • Quanto tempo você economiza com essas tecnologias?

Programas como Vectorworks, Revit entre outros, se implantados em meu escritório reduziriam drasticamente, talvez em 50%, o tempo de execução da etapa de projeto executivo (o projeto que vai para a obra). Já os modelos que uso não reduzem muito o tempo, só substituem o desenho a mão, mas são exigidos pelo mercado. Os clientes querem ver fotos dos ambientes e construções.

  • Qual a relação do trabalho manual com o trabalho a partir da realidade virtual?

O desenho manual ainda é indispensável, e para mim sempre será, pois é através dele que fazemos a nossa primeira expressão da criatividade. É o lado criativo e artístico da arquitetura, que é um misto de área humana, exata e artes. Cada vez mais o cliente quer exclusividade e por isso temos que oferecer. Como criar sem um papel e um lápis?

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