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O teatro está de portas abertas em Juiz de Fora

Por Laís Cerqueira, postado em 05/05/2014

Juiz de Fora é conhecida por sediar centros culturais e promover eventos que procuram valorizar a cultura da região. Exemplos são os cursos de teatro que existem na cidade, que abrem suas portas para atores e aspirantes a atores de todas as idades.

As oportunidades passam de cursos gratuitos oferecidos por locais como o Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, por oficinas de teatro e grupos teatrais tradicionais. O professor de teatro Fabrício Sereno é um dos exemplos de quem aposta no ensino da arte na cidade. “Eu era professor da rede pública e estava insatisfeito sobre como o ensino de artes era feito”, conta. “Resolvi abrir minha escola para tocar a arte da forma como eu acredito.”

A escola que ele se refere é a P&B Arte e Movimento, que oferece aulas para crianças, jovens, adultos e idosos. A escola está na ativa há cerca de três anos e meio, enquanto Sereno atua como professor há 15. Para ele, Juiz de Fora é uma cidade propícia para se iniciar no teatro. “É um lugar interessante para começar os estudos, mas não é muito próspera para se viver de teatro, do ofício de ator”, avalia.

Um dos pontos culturais mais tradicionais do município, o Fórum da Cultura da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), é a casa do Grupo Divulgação (GD), considerado um patrimônio imaterial da cidade. O diretor do GD, José Luiz Ribeiro, foi homenageado no final do ano passado com um livro narrando os 50 anos de sua trajetória teatral.

“O Grupo Divulgação tem um projeto de extensão que se chama Centro de Estudos Teatrais, que atende a dois núcleos: o de adolescentes e de universitários”, explica Ribeiro. “Temos também um outro processo, que é o workshop de interpretação para a terceira idade.” As aulas terminam com apresentações de peças, que ficam em cartaz no Fórum da Cultura.

“No núcleo de universitários, temos o projeto de Mergulhão de Teatro, que dá acesso, inclusive, a oficinas que oferecemos durante as montagens dos espetáculos. O Mergulhão termina com um espetáculo único, e os alunos depois passam a integrar o nosso trabalho”, elucida Ribeiro.

“O curso de adolescentes é organizado durante dois semestres; o primeiro termina com um espetáculo inicial, e o segundo, com uma temporada de cinco dias. No projeto de workshop para a terceira idade, tem um espetáculo em junho e um no final do ano, que encerra nossas atividades.”

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Por quê o teatro?

A estudante de Odontologia, Laura Firmo, conta que começou a fazer aulas de teatro quando tinha por volta de dez anos de idade, na escola do colégio Academia, que possui um teatro considerado um bem cultural da cidade. “Fiz aulas lá durante 8 anos, sendo que em 2007 entrei para a Companhia de Atores Academia, onde estive por três anos”, diz Laura, se referindo a um grupo de atores que completa 34 anos em 2014. “Parei por um tempo e, este ano, voltei para a Companhia.”

“O que me fez começar a fazer teatro foi minha timidez, principalmente”, conta a estudante. “Mas a partir do primeiro ano, o que me fez permanecer durante todo esse tempo foi o amor àquela arte.” Laura ainda afirma, com veêmencia, que recomenda o teatro para todos. “É sem dúvida uma experiência que todas as pessoas deveriam experimentar”, afirma.

Laura lembra a importância desse tipo de atividade para os jovens. “Para crianças e jovens, acho que ajuda muito no processo de desenvolvimento, levando valores essenciais para a vida, como respeito com o outro, cumplicidade, confiança no outro e principalmente o trabalho em equipe.” A estudante ainda vai além: “Não acredito ser apenas para crianças e jovens, acho que é importante e acessível em qualquer idade.”

O integrante do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação (CAEd) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Álvaro Dyogo, tem 10 anos de teatro na bagagem e foi recentemente registrado no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) como ator profissional. “Faço teatro desde criança, na escola e nos grupos da igreja”, relembra. “Descobri o teatro mais formalmente em 2004, quando entrei para o curso de adolescentes do Grupo Divulgação. Fiquei no curso dois anos, mas nunca mais parei. Depois disso, já passei por outras escolas, companhias e formações, inclusive acadêmicas.”

“Escolhi o Divulgação, na época, porque era o curso mais conhecido da cidade”, relata. “Depois, estabeleci laços com os professores que renderam outras parcerias: fui bolsista do projeto Escola de Espectador, ator do núcleo principal do GD e orientando do professor José Luiz na graduação e especialização em teatro.”

O ator recorda com carinho as conquistas que obteve através do teatro e da importância do mesmo não só para ele, como para as pessoas em geral. “Construí laços de carinho e amizade que superam as relações com o palco, acho que por isso que acabei me envolvendo tanto”, elabora. “Como instrumento de autoconhecimento, disciplina, sensibilização, ampliação dos horizontes culturais, experiência estética, ativação da memória física e textual e aprendizado de valores como trabalho em equipe e concentração, o teatro é uma ferramenta muito potente.”

“Já para quem pretende fazer carreira na área, gosto da maneira como a Fernnda Montenegro colocou as coisas certa vez em uma entrevista”, cita o ator. “Desista. Agora, se você simplesmente não conseguir desistir, se a falta de teatro te fizer mal, você não se sentir completo, persista. Porque o teatro dá muito trabalho, e o glamour do aplauso é só a pontinha do iceberg.”

O professor Fabrício Sereno diz considerar o teatro “uma expressão real da pessoa.” “Trabalha a sensibilização, e isso é muito importante para o ser humano, já que é algo que estamos perdendo no mundo contemporâneo”, afirma. “O que faz eu me manter no teatro é a relação que existe entre os seres humanos. O teatro nunca morre, porque nunca vai deixar de existir a química entre o ator e o espectador.”

O diretor do Grupo Divulgação, José Luiz Ribeiro, aposta no bem que faz oferecer a oportunidade de fazer teatro para todos. “Para os mais velhos, é uma recuperação a aurora. Para os adolescentes, é uma forma de experimentar uma parte mais sensível, ter mais disciplina, o que reflete, inclusive, na escola, uma vez que eles trabalham com literatura e demais elementos importantes. Já para os universitários, é um complemento cultural, uma experiência universitária de teatro.”

Para conhecer mais sobre a história do teatro, clique no vídeo abaixo:

 

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